11 de outubro de 2010

Meu coração

        
          Na terra do meu coração passei o dia a observar- como ele é feito, sua textura, cor, amor- sentimentos escondido no peito, que insiste em transbordar. Fecho os olhos e como quem viaja para o seu interior, vi:
            Meu coração é um velho cansado, que fica a espera na varanda por um beijo roubado.
            Meu coração é um álbum de retratos, daqueles bem antigos roídos pelas traças, e amarelados. Mas que quando tocado, nos leva como num passe de mágica a tempos passados.
            Meu coração é um mendigo faminto, jogado na rua do amor. Meu coração é um velho vagabundo que rasteja pelo pão, mas também é um  malandro que aprendeu a bailar no compasso da vida.
            Meu coração é um velho bordel em cujos quartos prostituem-se ninfetas e virgens loucas por sexo.
            Meu coração é um entardecer na praia. A brisa marítima sopra calmamente. Há moças sentadas em suas cangas observando serenamente o por do sol ao lado de seus amantes.
            Meu coração é um bar com mesa única, debruçado sobre ela se encontra um bêbado se embriagando com a paixão alheia.
            Meu coração é embebido por mel, no centro de uma vida, alimentando beija-flores, que depois de prová-los se transforma maciamente em lindos alazões.
            Meu coração é só meu, mas estará sempre aberto para confortá-lo.    
g.
Homenagem à um maravilhoso poeta Chamado Caio Fernando, que com poucas palavras definia o que era o seu coração. Texto inspirado em suas citações.

Um comentário: