25 de novembro de 2010

Reinventando:

13 de novembro de 2010, meus olhos duvidam a acreditar, mas o despertador já havia tocado.  Era necessário levantar, sair da inércia que tomava conta da minha essência.  Levanto da cama vou ao banheiro me arrumar para sair. Olho para o espelho e como num estalar de dedos decide me reinventar.  Saio de casa e no meio do caminho me deparo com o bom e velho salão. Penso:
Qual seria um dos primeiros passos para me reinventar senão este? E como num ato impensável decido que sim, mudarei o meu exterior.
Já na cadeira do cabeleireiro, que começa sem piedade a fazer o seu trabalho. E a cada instante em que via meu cabelo no chão no que vivi, passei e serei.
É tempo de renovação, fim da faculdade, o que vem depois? Ainda não me decidi, mas com certeza será algo inspirador, e desafiador. Fim de uma era no qual não fazia resenhas, mas sim trabalhos porcos feito na madrugada anterior. Onde encontrava todos num pequeno pátio, discutíamos os temas de nossos trabalhos não de forma democrática, mas sim no grito. Fim de horas em que passava no laboratório a falar besteiras. Fim da jornada de duas horas para simplesmente começar a estudar.
O mundo, não me chama, ele grita, berra esperneia. E eu com um pouco de medo, me atiro querendo saber o que isso vai dar.... Você sabe? Nem eu, mas apenas quero aprender, amar, entender a ordem da vida, que não é ensinada em livros ou muito menos na academia. Se for bater cabeça? Ahhhh..... Eu espero que sim, faz parte da vida bater cabeça por ai.
Quero novas experiências, quero me reinventar, quero transitar por diferentes lugares do saber. Se sou louca? Talvez seja, mas quem não é?
Eu sou louca pela liberdade!!!!  De poder me construir novamente cada vez que me sentir entediada.

9 de novembro de 2010

Danço:



Danço ao lado das deusas, que através de mim se exala.
Danço com a minha alma que se alegra a cada movimento que executo
Com o meu corpo.
Debaixo da minha saia, vão os meus amores, no qual os fascino com o meu bailar
Se minha dança seduz? Não! Não danço para seduzir  outrem, apenas me seduzo.
Porque danço? Danço para espalhar o vulcão de sentimentos que há em mim. Danço para amar, para chorar, para libertar a minha deusa, danço para sentir me poderosa, feminina.
Danço apenas para rodar a minha saia, para sentir o ensurdecedor  tambor dentro de mim. Que com o meu olhar se vai...... apenas danço.

11 de outubro de 2010

Fazer Amor...

Fazer amor é pisar na eternidade.....
Não basta o encontro de dois corpos,
Atrás de seus desejos dionisíacos,
Destes que surgem feito gula, sem postura e
Nem compostura.
Atendendo saciar os desejos mais íntimos.  
Fazer amor é algo além,
É percorrer as trilhas das almas, como um cego
Tateando bem devagar, sem pressa
Descobrindo as suas profundezas e levezas.
Por que alma tem textura, cor e aparência.
Fazer amor é deslizar nas nuvens, a boca
Vai ressuscitado, bebendo novamente  a seiva do amor.
Fazer amor é renascer!
No abraço que não sufoca,
Num beijo que cala a sede gritante de atenção
No olhar que transmite ternura.....
Na escalada que leva ao gozo,
Vale gritar, chorar, ficar quieto, vale sentir...
Porque é neste momento que se chega ao paraíso,
E qualquer som, por menor que seja,
Será sempre o acorde perfeito
Para as almas que iniciam este milagroso encontro.
Corpos se doam, corações batem num mesmo ritmo, na mesma ternura
E vontade de se entregar.
Chega-se ao êxtase!!
E no instante seguinte é momento da mais pura paz.
os amantes pisam na eternidade.
Mas fazer amor é mais do que isso,
É caminhar de mãos dadas, superar obstáculos juntos,
Servir de ombro amigo.
E no final de tudo, quando estiver bem velinho,
Poder ainda falar e escutar um:
“ eu te amo”.    

Meu coração

        
          Na terra do meu coração passei o dia a observar- como ele é feito, sua textura, cor, amor- sentimentos escondido no peito, que insiste em transbordar. Fecho os olhos e como quem viaja para o seu interior, vi:
            Meu coração é um velho cansado, que fica a espera na varanda por um beijo roubado.
            Meu coração é um álbum de retratos, daqueles bem antigos roídos pelas traças, e amarelados. Mas que quando tocado, nos leva como num passe de mágica a tempos passados.
            Meu coração é um mendigo faminto, jogado na rua do amor. Meu coração é um velho vagabundo que rasteja pelo pão, mas também é um  malandro que aprendeu a bailar no compasso da vida.
            Meu coração é um velho bordel em cujos quartos prostituem-se ninfetas e virgens loucas por sexo.
            Meu coração é um entardecer na praia. A brisa marítima sopra calmamente. Há moças sentadas em suas cangas observando serenamente o por do sol ao lado de seus amantes.
            Meu coração é um bar com mesa única, debruçado sobre ela se encontra um bêbado se embriagando com a paixão alheia.
            Meu coração é embebido por mel, no centro de uma vida, alimentando beija-flores, que depois de prová-los se transforma maciamente em lindos alazões.
            Meu coração é só meu, mas estará sempre aberto para confortá-lo.    
g.
Homenagem à um maravilhoso poeta Chamado Caio Fernando, que com poucas palavras definia o que era o seu coração. Texto inspirado em suas citações.

10 de outubro de 2010

lembranças

        

           Noite fria de junho, olho para a janela já úmida pelo sereno, e me perco nas minhas lembranças.  Lembro do tempo em que te conheci, daqueles tempos em que o peso da responsabilidade não era tão grande, e ainda sinto o cheiro do primeiro amor desabrochando. Fecho os olhos e inacreditavelmente seu cheiro ainda se encontra presente no ar. Escuto as minhas gargalhadas dadas ao seu lado. É..... Ao seu lado me senti a mulher mais poderosa do mundo! Sentia-me tanto uma leoa quanto uma donzela. Olhava nos seus olhos e conseguia ver os meus filhos ainda não nascidos.
            Começa a chover, e o sereno da janela  se transforma em pequenas gotas que batem no meu rosto, neste mesmo instante lembro-me do que procurava em você. Lembro-me do quanto queria ser a sua paz, quis tanto dar, sem exigências e sem solicitações. Estar do seu lado já era o suficiente, sem pedir mais do que você me dava. Mas tudo que tinha era seu e não meu. Quando percebi, havia outra pessoa habitando o meu ser, tinha esquecido o que realmente amava e de quem realmente eu era, do que me fazia chorar ou me deixar indignada. Fui percebendo meu erro, te dei mais do que poderia dar, e quando decidi voltar a ser eu novamente, a nossa sintonia acabou.
            Chorei três noites seguidas, depois dormi dois dias. Parecia-me inevitável ainda estar viva quando já não acreditava em mais nada. Sentia um amplo vazio dentro de mim que não poderia ser preenchido.  
            Meu rosto fica molhado, mas desta vez a chuva não seria a responsável. Como é difícil renascer das cinzas! Como saberei quem realmente sou? O que construir? Ainda não sei.
            Atrás desta janela, retomo o momento de mel e lágrimas que foi postas a minha frente com tanta delicadeza, e que dali nunca mais saíram. Fecha-se um ciclo, seguiremos em frente sem medo de viver, e a cada tombo, a cada lágrima, a cada lembrança triste delimitarei o  que sou,  e o que quero ser. Sigo em frente, amando novamente. ( nunca a mesma pessoa)  
gicosta.   
Ontem fui a formatura de uma prima minha, que por sinal a cerimônia foi linda, e ela estava linda, toda feliz, por ter conseguido vencer mais uma etapa dessa nossa longa estrada, chamada vida. Pois é, algumas coisas ali naquele instante me fizeram pensar, do que é construída essa nossa estrada?? O que levamos conosco na nossa bagagem, e o que esquecemos ( de forma proposital) no meio desta ?
Ao me indagar para este fato, percebi que ao invés de colocar na minha bagagem coisas que realmente gosto,  passei a colocar valores e aprendizados valorizados pela nossa sociedade, tais como esperteza, astúcia, boa oratória, para ai sim, depois de ter me graduado na faculdade, conseguir “ ser alguém na vida”….  Mas…. Então até agora eu não sou alguém na vida?? Será que realmente, esses valores ditos pela sociedade,  me fazem ser alguém na vida?
NÃO!! Não posso e não quero acreditar que valores mesquinhos, possam fazer quem eu sou, se for assim tenho orgulho de dizer que eu sou  nada, e nunca serei alguém… Na minha estrada, aprendi a respeitar os outros, a ser sincera, aprendi que gentileza gera gentileza, como dizia nosso profeta. Errei muito também e aprendi com isso, aprendi que beijo de mãe cura qualquer machucado, que um abraço de pai, quando se estar com um nó na garganta é o melhor êxtase que se pode chegar, aprendi que um sorriso de uma criança quando acorda é a melhor alegria que se pode ter. Aprendi que toda a  cultura adquirida pode ser inútil em um determinado momento. Aprendi que toda decepção amorosa não é maior que amor pela própria  vida, que pessoas são insubstituíveis, mas que algumas precisam em um certo momento sair de nossa estrada para caminhar sozinha.
Se esses pequenos aprendizados que carrego na minha bagagem, não me fazem ser alguém na vida, não sei o que posso ser. Se para nossa sociedade devo esquecer tudo isso e valorizar certas “ qualidades” ,para me tornar uma profissional brilhante? Então não  serei tão brilhante assim, mas ficarei com a pureza das respostas das crianças…..
E assim vou, caminhando contra o vento sem lenço e sem documento, eu vou!!!