Andarilho:
Tarde da noite, ando de um lado para o outro, e meu coração cigano insiste em falar. Ele já não sussurra, grita, esperneia, pulsa dentro de mim. Não sei ficar parada, também pudera como um bom andarilho meu coração pede para que lhe retirem as amarras. Ele não agüenta mais caminhar, quer voar.
Meu coração cigano insiste em não se acomodar, me impulsionando a caminhos nunca antes vistos. É ele que me faz ficar quietinha, a espera de uma boa brisa, pois esta me mostrará onde devo seguir. Vai-se sozinha? Só o meu coração dirá. Aliás, como um bom cigano, meu coração não sabe ser dominado, não se prendendo a tradições ou convenções da sociedade. Ele leva-me a fazer o que lhe dar prazer.
E o que lhe dar prazer? Talvez coisas novas ou velhas que proporcionam a leveza do meu ser. Ficar-se-ei muito tempo? Não sei. Meu coração cigano me faz amar desse jeito. Se hoje seu gozo me enche de alegria, amanhã ele não passará de uma boa lembrança. Se hoje seus olhos me fazem amá-lo, amanhã eles me farão enjoar-me.
Não queiram dominá-lo, nem me falar o que é certo ou errado, pois somos nós que decidimos como, quando e onde erraremos e se erraremos. Meu coração cigano, só quer matar a sua sede em um interminável gozo pela vida. Proporcionando-te prazer enquanto ainda lhe quero, porque você sabe meu coração cigano me fará caminhar. (entretanto, quem sabe daqui a um ano não irei equivocar-me novamente com você, assim como hoje?)